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12/08/2019

Homenagem à “Irmã Bernarda”

 

     Na sessão desta segunda-feira, 12 de agosto, os vereadores aprovaram o Projeto de Decreto Legislativo nº 04/2019, de autoria do Vereador Jorge de Godoy (Progressistas), que concede o título de Cidadã Florense à Giuditta Maria Franca Curssano (Irmã Maria Bernarda de Cristo Rei). A entrega da homenagem será na noite do dia 11 de setembro, data em que a homenageada comemora 89 anos de vida.

 

Quem é “Irmã Bernarda”?

       

            Giuditta Maria Franca Curssano, nasceu em 11 de setembro de 1930, na cidade de Abrusso, na Itália. Filha de Angelo e Ana Di Loreto Curssano, falecidos, tem dois irmãos Maria Cristina Curssano De Francesco e Savério Cursano e a sobrinha Alessandra Cursano De Francesco.

            Na infância Giuditta era graças uma criança egoísta e melindrosa; vivia facilmente emburrada e acabrunhada e o que mais a impressionava no mistério de Deus era aquele grande Jesus Crucificado. Quanto tinha dez anos começou a segunda grande guerra mundial e foi nesse período de insegurança que amadureceu na família, principalmente na sua mãe, a devoção para o Sagrado Coração de Jesus. Em 1949 a família foi morar em Bari e, na paróquia administrada por Salesianos, começou a participar da Juventude Feminina de Ação Católica. Nesta época a presidente da diocese a convidou para ser sua secretária, sendo que o trabalho compreendia em visitar as várias seções paroquiais de toda a diocese. Para Giuditta este era um trabalho desafiador, pois para pregar e ensinar os outros com eficácia era preciso agir de modo coerente.

            Na universidade cursou Direito, conseguiu a láurea em matérias jurídicas e foi convidada pelo seu professor para ser sua assistente universitária, que de pronto aceitou. Na época preparava-se também para participar de um concurso nacional para cátedra de matérias jurídicas. Paralelo a isso, começou a participar com frequência da santa Missa. A Igreja que mais frequentava era a de Santa Escolástica e já havia recebido o convite para ser Monja, mas entre maravilhada e espantada recusou.

            Com o passar do tempo foi se encantando com a pregação dos missionários Capuchinhos e sempre se perguntava o que podia fazer para ter mais Deus dentro dela. As iluminações iam acontecendo sempre mais claras, especialmente quando, durante os exercícios espirituais anuais, no Monte Alverne, uma lâmpada de neon esmigalhou-se em faíscas sobre ela, que estava triste em um canto enquanto as outras Missionárias renovavam seus votos. Após este fato, o Pároco lhe propôs o Mosteiro de Clarissas Capuchinhas. Giuditta, então, falou com seu pai e este a questionou; sofria pelo pai, mas ao mesmo tempo sentia-se feliz e, no dia 17 de setembro de 1962, aos 23 anos, entrou no Mosteiro e passou a chamar-se Irmã Maria Bernarda de Cristo Rei. Sofria muito em ter que deixar a família, que amava muito, quase desistiu, mas palavras do evangelho como “Quem perder sua vida por mim e o Evangelho, a ganha” (Jo 12,25) a incentivavam a continuar.

            No Mosteiro nem tudo era agradável, mas adaptou-se com facilidade aos usos e costumes. A cada dia dava-se conta de que nem os muros do Mosteiro, nem a vida simples e austera marcada pela oração conseguem “dar mais Deus dentro de nós”. Precisava manter vivo o desejo no íntimo do coração, aproveitar as pequenas renúncias, intensificar a oração e lutar contra as tendências temperamentais para permitir o florescer das virtudes.

            Tempos depois o Padre Geral Pascoal Rywalski, convidado no Rio Grande do Sul para o capítulo das esteiras e constatando que a Província Capuchinha era florescente e rica em atividades, sugeriu a presença de irmãs contemplativas, orantes por vocação. O Ministro Provincial, Frei Angelo D. Salvador, logo pediu à Federação Italiana. Cinco irmãs, dentre elas Irmã Bernarda, foram escolhidas para vir ao Brasil. Chegaram ao Brasil em 21 de janeiro de 1979. No início precisaram morar em uma pequena, mas acolhedora casa de uma chácara, oferecida pelas Irmãs de São José, em Caxias do Sul. Neste período também acompanhava a construção do Mosteiro em Flores da Cunha, que foi inaugurado em 08 de dezembro de 1981 com Missa campal concelebrada por Dom Benedito Zorzi, Dom Paulo Moreto, por 23 sacerdotes e com grande concurso de fiéis.

            No ano de 2000 recebeu o convite do Bispo de Macapá, no Amapá para acompanhar a fundação de um Mosteiro na cidade. Chegou em 05 de agosto de 2003, acompanhando mais 05 irmãs, que fundariam o Mosteiro dedicado a Santa Verônica Giuliani e que foi inaugurado em 30 de março de 2008. No dia primeiro de maio de 2014 Irmã Bernarda celebrou 50 anos de Vida Consagrada com o mesmo entusiasmo do primeiro dia no Mosteiro. Retornou para Flores da Cunha em 16 de novembro de 2014.

Irmã Bernarda, em Flores da Cunha, colabora com artigo para o jornal O Florense; é por vocação e missão intercessora de toda a humanidade de modo particular por Flores da Cunha. Está disponível para atendimento, aconselhamento e direção espiritual de todos quantos a procuram. Seu jeito de ser é carismático, verdadeiro ícone na cidade e em toda região.

             Irmã Bernarda diz que no início de cada história vocacional está o Amor Divino, está um Deus “que se faz carne” para dar à sua criatura a capacidade de “vida nova”, uma vida que não aparece, que se recebe no Batismo, que pertence ao Espírito, que precisa crescer tendo como modelo Jesus e como força vital o seu Espírito, o Espírito Santo. A vida contemplativa oferece um caminho fácil e seguro para cultivar e fazer triunfar a vida de Jesus em nós e por isso é também sinal desta realidade. E acrescenta que agora que quase todo o caminho foi percorrido agradece ao Senhor Jesus por tê-la chamado.

      

 

 

 

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